Manejo Integrado de Pragas

A Safra de Verão 2019/2020 já começou e nós, da Sementes Mutuca, pensamos em mostrar como conduzimos nossos processos de campo. Nosso objetivo é compartilhar experiências e conteúdos que possam ser úteis para lembrar alguns pontos importantes sobre a cultura da soja. Mas sabemos que a realidade das fazendas difere bastante de uma para outra então, salientamos que tomamos como base a nossa região dos Campos Gerais.

Fique Ligado: Manejo Integrado de Pragas na SOJA!

A Soja, como outras culturas, está sujeita a diversas pragas desde a germinação até a colheita. Nos últimos anos, é percebido um aumento no número de aplicações de químicos para controle dessas pragas. Entendemos que esse aumento não faz bem nem para o ambiente, e muito menos para o nosso bolso. O uso impreciso de defensivos desequilibra o ecossistema das lavouras, consequentemente, estimula o aumento de pragas secundárias e ainda favorece a seleção de pragas resistentes.


O Manejo Integrado de Pragas (MIP) tem como objetivo proteger a lavoura, evitando perdas econômicas decorrentes do ataque de pragas, e trazer benefícios para o sistema produtivo. Assim, permite aumentar o tempo entre a emergência da cultura e a primeira aplicação de defensivos. Isso favorece a colonização da lavoura por agentes de controle biológico naturais, reduzindo a intensidade do ataque de pragas e beneficiando o sistema de forma ampla. De forma simples, o MIP é a utilização de diversas táticas de controle, utilizando não só químicos, mas também otimizando o próprio ambiente.

A decisão de controle deve ser baseada no Nível de Dano Econômico (o quão financeiramente prejudicada está a sua lavoura). O NDE vai depender do tipo e da população da praga encontrada no monitoramento, assim como a produtividade esperada e o preço de venda do grão.

Já estamos cansados de ouvir, mas vale à pena lembrar. O MIP é importante para:

  • Controlar pragas na lavoura;

  • Manter a biodiversidade do agroecossistema;

  • Preservar inimigos naturais;

  • Otimizar a utilização de defensivos químicos;

  • Diminuir o impacto ambiental;

  • Preservar a biotecnologia no campo;

  • Manter o potencial produtivo da lavoura.



Essa nem todos sabem: A execução do MIP envolve alguns passos que, se seguidos corretamente, podem levar a medidas de controle muito mais eficientes e assertivas:


1. Entendendo a biologia e o comportamento das pragas:

Quem é o seu alvo? Como funciona o seu metabolismo? Qual o seu hábito alimentar? Quais os estádios/ínstares de mais fácil/difícil controle? Perguntas como estas nos ajudam a compreender melhor com quem estamos lidando. Pergunte, pesquise, leia, busque. Toda informação é relevante.


2. Realizando o monitoramento de populações:

Existem algumas técnicas para isto. Aqui na Sementes Mutuca utilizamos o pano de batida.

3. Calculando os níveis de dano econômico e de controle:

Saber se a próxima aplicação irá se pagar é o ponto chave do MIP. E a adoção de medidas de controle só se torna viável quando determinada praga causa perdas maiores na produção do que o custo do controle. Esse "ponto da virada" pode ser calculado da seguinte maneira:


NDE = CT x 100

                   V


Onde:

- NDE: Nível de Dano Econômico (%)

- CT: Custo de controle por unidade de área (R$/ha)

- V: Valor da produção por unidade de área (R$/ha)


Para exemplificar, imaginemos que o valor de produção de uma determinada cultura é de R$1.000,00/ha, e o custo de aplicação de um inseticida é de R$100,00:


NDE = CT x 100100 x 100NDE = 10%

                   V                1000


Entretanto, existem dois impasses fundamentais nessa metodologia: primeiro, a estimativa desses valores pode não ser tão simples de mensurar. Segundo (e mais importante), é que no momento do cálculo, você já pode estar arcando com prejuízos irrecuperáveis. Chegar no NDE depende não só do tipo e população da praga, mas do estádio de desenvolvimento da planta e da susceptibilidade da cultivar.

*Dica profissional: Por experiência própria, sabemos que, se encontrarmos duas lagartas Helicoverpa armigera em uma batida de pano, já não é possível controlar a população. A helicoverpa fura as vagens, danifica os grãos e causa grandes prejuízos de produtividade.

Portanto, a grande recomendação é que todas as medidas de controle sejam feitas de maneira PREVENTIVA. Isso vai te salvar de muita dor de cabeça durante a safra.

4. Avaliando as medidas de controle:

Com uma abordagem holística, o MIP dispõe de diversas táticas de controle: culturais, biológicas, físicas, genéticas, químicas, comportamentais, entre outras. Os três primeiros passos devem te dar uma ideia de quais táticas seriam mais eficazes e rentáveis no momento da decisão.

5. Estudando a interação entre medidas de controle:

Como se trata de um ecossistema onde as variáveis e agentes são interdependentes, é natural que hajam interações entre as decisões a serem tomadas. Certifique-se de que você está ciente de todas elas para não ter nenhuma surpresa.


6. Avaliando os riscos ambientais:

No momento da aplicação da tática de controle, todos os riscos foram devidamente avaliados? Seu equipamento é adequado? Você ou o operador estão devidamente protegidos? Os benefícios trazidos excedem os efeitos negativos da sua decisão? Mais uma vez, pense antes para não se arrepender depois.

7. Tomando a decisão: 

Na hora da verdade, é você quem tem que decidir o que será feito. Com todas as informações em mãos, é hora de escolher:

  1. a) Não controlar: quando o ganho/manutenção da produtividade não paga os custos de controle. Essa é uma decisão difícil de ser tomada, pois requer competência e sangue frio. Entretanto, muitas vezes é a única saída;

  2. b) Modificar o ambiente: optar por medidas de controle que tornem o ambiente atrativo para inimigos naturais, ou desfavorável para as pragas. Aqui entram táticas de controle culturais, biológicas, físicas e comportamentais;

  3. c) Controle da população: a mais óbvia tática (e, geralmente, a mais desejada) é a redução da população. Saber o ínstar/estádio de desenvolvimento das pragas é fundamental, pois cada alvo tem suas forças e fraquezas particulares que devem ser exploradas para que a ação seja a mais assertiva possível.



Algumas das técnicas utilizadas no Manejo Integrado de Pragas incluem:

  • Alteração do arranjo espacial;

  • Rotação de culturas;

  • Inseticidas naturais;

  • Agentes biológicos: uso de predadores e inimigos naturais;

  • Nutrição adequada das plantas;

  • Variedades resistentes;

  • Utilização de sementes de qualidade (fisiológica, física, varietal);

  • Tratamento de Semente Industrial;

  • Cobertura do Solo;

  • Controle químico.


A composição de uma estratégia de controle com táticas variadas aumenta muito suas chances de sucesso. O objetivo fundamental do MIP é ajudar a sua lavoura a se defender por si só. Portanto, lembre sempre que o controle preventivo é menos trabalhoso, mais eficiente e muito mais barato. Ainda, tenha em mente que sua lavoura não se limita às plantas. É um contexto que envolve a cultura, o solo, o clima da sua região, animais, inimigos naturais e, principalmente, a sua competência. Torne-se o protagonista desta história, e haja com consciência e perspicácia. Esteja sempre bem assessorado por um bom Técnico ou Engenheiro Agrônomo e, se alguma dúvida surgir, estamos à disposição!


E aí, curtiu o conteúdo? Fique atento ao nosso blog e redes sociais, pois estaremos postando conteúdos sobre algumas pragas, doenças, fungos e plantas daninhas da soja na série - Fique ligado!

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