Oídio no trigo? Já era!

Blumeria graminis f.sp. tritici

Cronologicamente, o oídio é a primeira doença que ocorre nos cereais, predominando nos cultivos de trigo na região Sul.


Todos os órgãos verdes podem ser parasitados, sendo mais comum em folhas e bainhas. A doença é conhecida pela presença dos sinais do patógeno na superfície dos tecidos verdes do hospedeiro, sobre os quais são encontradas as estruturas vegetativas e reprodutivas do fungo, tais como micélio e conidióforos, o que justifica o nome popular de cinza. A presença de cleistotécios entre o micélio branco pulverulento não é muito frequente, porém, em algumas situações, podem ser encontradas nas bainhas das folhas inferiores e nos colmos.


"O patógeno reduz a taxa fotossintética, aumenta a respiração e a transpiração, conduzindo a um enfraquecimento e enfezamento da planta. Tem uma perda de vigor das plantas, o que se traduz em queda dos rendimentos em até 40%.


Danos:

O sintoma típico da doença é o crescimento superficial de uma massa branca formada pelo micélio e conídios do fungo; sob ataques intensos, toda a planta pode ser afetada, incluindo a espiga e as aristas. O fungo infecta apenas as células epidérmicas, e os sintomas ocorrem principalmente na superfície superior das folhas e apresentam-se como manchas brancas do micélio do fungo, com aspecto pulverulento. Os tecidos no outro lado das manchas, na superfície inferior da folha, tornam-se verde-pálidos a amarelos; nas folhas mais velhas se forma um anel necrótico amarelado a marrom ao redor da massa micelial. Nas manchas velhas, principalmente nas bainhas das folhas, formam-se corpos esféricos e escuros entre a massa micelial, correspondentes aos cleistotécios (fase sexuada do fungo)." (Agrolink)


Por consequência da doença, há diminuição do comprimento da espiga, da área foliar e do número de espigas por m². Ainda, os afilhos acabam não se desenvolvendo devido à drástica redução da área foliar e consequente morte dos mesmos, havendo prevalência do colmo principal.


O fungo sobrevive principalmente em plantas de trigo voluntárias, porém algumas informações literárias sustentam a hipótese de que pode sobreviver, como micélio dormente ou cleistotécios, nos restos culturais.


Controle:

"O controle químico: de oídio de trigo em cultivares suscetíveis é mais econômico via tratamento de sementes do que por meio de aplicação de fungicidas nos órgãos aéreos. Em planta adulta, o monitoramento da doença deve ser semanal, a partir do afilhamento, determinando-se a porcentagem de plantas com sintomas da doença. A primeira aplicação deve ocorrer quando o nível de doença atingir o limiar de ação, conforme as informações técnicas para Trigo.


A rotação de culturas não é efetiva para controle de oídio, já que o patógeno se encontra presente em qualquer período do ano. Deve-se evitar adubação nitrogenada em excesso, que torna as plantas mais suscetíveis. Semeaduras mais precoces podem diminuir os danos da doença, pois as plântulas ficam expostas a menores quantidades de inóculo justamente em estádio de desenvolvimento mais suscetível à doença."(Leila Maria Costamilan)


Para os cultivares de trigo suscetíveis ao oídio, realizamos tratamento nas sementes com produto específico (fungicida sistêmico do grupo dos triazóis) com objetivo de evitar o surgimento da doença no início do afilhamento. O período residual do fungicida no tratamento de sementes situa-se entre vinte e cinco a trinta dias após a emergência.

Após o término do efeito residual do fungicida nas sementes, a incidência do oídio vai depender muito da cultivar e do clima. Se a cultivar for suscetível e o ambiente estiver seco, a incidência será maior. Recomenda-se utilizar produtos específicos para oídio (Fenpropimorfe). Nas cultivares mais tolerantes, quando realizamos pulverizações com fungicidas para o controle de manchas foliares verifica-se um bom controle do oídio também.

Leila Costamilan

Referências:

Agrolink

Leila Maria Costamilan

Diagnose-patimetria-e-controle-de-doencas-de-cereais-de-inverno.pdf

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